10.1.07

007 entre figuras

















Lausane (s.d.), Nadir Afonso


Nadir Afonso afirmou, um dia, que em pintura tudo é redutível a figuras geométricas. Parece verdade, embora o expressionismo abstracto de um Rohtko obrigue a uma reformulação de tal tese, bem como a utilização obessessiva da cor pelo próprio Nadir seja prova de que, em pintura, a forma não basta: existem as relações da cor, por exemplo. Importante é ressalvar, no entanto, que as relações das figuras geométricas são um modo de ocupar o espaço e de criar um lugar e não formas vazias de conteúdo. O geometrismo não acusa apenas a exaltação pitagórica da divindade dos números e das formas. Sem um lugar entre , não há vida possível. (Seria interessante pensar, a propósito, que lugar nasce das telas de Rothko e que tipo de experiência proporcionam, se estética se espiritual). Sem lugar, não há respiração. Nem fruição estética. É o que aprende o olhar na relação com a simplicidade das figuras geométricas e o espaço que as define. E depois há uma pintora cujo objecto representado é o lugar ele mesmo: Vieira da Silva.

Les grandes constructions (1956), Vieira da Silva