<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978</id><updated>2011-04-22T06:24:31.890+01:00</updated><title type='text'>a perspectiva apaixonada</title><subtitle type='html'>vestigia lectionis 2</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-117063036864810553</id><published>2007-02-04T22:57:00.000Z</published><updated>2007-02-04T23:12:53.850Z</updated><title type='text'>009 a cozinha: van gogh vs. velázquez</title><content type='html'>Em Abril de 1885, Vincent van Gogh escreve ao irmão Theo: «Proponho dedicar-me esta semana à tela que representa os camponeses em torno de uma travessa de batatas, à noitinha - talvez ainda à luz do dia - ou ambas ao mesmo tempo, ou nenhuma delas - dirás tu. Pode ser que o consiga, e pode também suceder que não tenha êxito; seja como for vou começar a esboçar as posições das várias figuras.» Vincent tem trinta e dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/901653/potato-eaters.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/570372/potato-eaters.jpg" border="0" alt="" /&gt;Os comedores de batatas (1885), Vincent van Gogh&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duzentos e sessenta e sete anos antes, contando dezanove anos, o jovem Velázquez conclui o quadro &lt;em&gt;Velha fritando ovos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparando o resultado tosco das tentativas de van Gogh - &lt;em&gt;Os comedores de batatas &lt;/em&gt;- com o de Velázquez, conclui-se facilmente que aquilo que um só com muito esforço obtinha, o outro alcançava com naturalidade. O que no primeiro era ímpeto, hesitação, vigor, tenacidade, sofrimento, rudeza, no segundo, era ideia, segurança, fluidez, naturalidade, alcance, subtileza. Um, inquieto, vivendo entre os camponeses de Nuenen e retratando-os, procurava-se; o outro, destinado, vivendo na cosmopolita Sevilha, encontrava-se. Mal comparado, um Beethoven e um Mozart das cores e da luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/2445/velazquez7.3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/553105/velazquez7.3.jpg" border="0" alt="" /&gt;Velha fritando ovos (1618), Velásquez&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são sobretudo as cores e a luz (ou a ausência dela) o que impressiona em ambas as telas. No quadro de Velázquez, os elementos (um cesto de palha, a cabeça de um rapazinho, o braço esquerdo segurando um melão, o direito segurando uma garrafa de vinho) como que nascem da escuridão do fundo, flutuando. A fonte da luz que dá a consistência e uma materialidade quase tangível a estes elementos e aos restantes (a velha, os ingredientes e os utensílios de culinária) está ausente. Note-se a propósito do realismo da representação, no brilho do verniz da taça de barro em que a cozinheira frita os ovos, o brilho da panela de cobre, a sombra da faca pousada sobre a malga branca). No quadro de van Gogh, estando a fonte da luz presente (um candeeiro de pavio), o que sobressai é sobretudo a obscuridade. Dir-se-ia que nenhum elemento (o casal jovem, o casal de velhos ou a criança, as chávenas, o bule, as batatas ou os objectos pendurados nas paredes), nenhum desses elementos se destaca: o quadro vive do tom ocre e as figuras estão ali artificialmente colocadas para comporem um «sentimento verista» - uma melancolia vinda da miséria e honestidade dos «retratados». «Quis fazer de maneira a ter-se a ideia de que esta gente humilde que, à luz do seu candeeiro come as suas batatas tirando-as ao mesmo tempo da travessa, foi quem cavou a terra em que as batatas foram cultivadas; este quadro evoca, pois, o trabalho manual e sugere que estes camponeses merecem honestamente aquilo que comem», escreverá Vincente, ainda em Abril de 1885, a Theo. Neste sentido, o pintor logrou alcançar o objectivo inicial. O plano da produção estética, confundia-se, por estes anos, na cabeça do pintor, com uma função social e pedagógica. Numa palavra: um moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às motivações de Velázquez, não as conhecemos, mas há quem veja nesse &lt;em&gt;bodegone&lt;/em&gt; (quadro representando cenas de cozinha ou de taberna) as concepções alegóricas do tempo, e assim o ovo que a velha cozinheira segura representaria a fragilidade da existência. Aceitando a interpretação, o quadro não deixaria de ter um fito pedagógico, mas muito mais doutrinal e distante, como convinha ao tempo e ao lugar em que foi pintado. E de resto a artificialidade (que é uma virtude da arte) não deixa de estar presente no rapaz que segura a garrafa de vinho e o melão: acabou de chegar, ou faz uma pose, como se fosse elemento de uma natureza-morta composta pelo pintor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um facto que a cozinha asseada e as figuras do pintor espanhol, ainda que dentro do tom da probidade, nada têm em comum com a cena de refeição goghiana. A obscuridade desta cena consegue ser lúgubre, enquanto que a escuridão da outra, pelo contraste, enobrece as figuras batidas pela luz. Num outro &lt;em&gt;bodegone&lt;/em&gt; de Velázques, &lt;em&gt;Três homens à mesa&lt;/em&gt;, de 1618, que representa igualmente uma refeição, a míngua de alimentos também é notória, porém, ali há alegria. Ora, tal não acontece com os camponeses quase animalescos do holandês. Aqui sente-se o jugo da fortuna, ali esse jugo é contornado, ou menos terrível. Em suma, são duas concepções de nobreza e de realismo que se põem em cena, ambas naturalmente válidas e compreensíveis. Aliás, não é apenas o carácter de cada um dos pintores que se reflecte na tela, não é apenas a subtileza da pincelada de um e a pincelada grosseira do outro que se contrapõem, é também o lugar em que as obras viram a luz. Velázquez estava bem onde estava, assim como van Gogh.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-117063036864810553?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/117063036864810553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/117063036864810553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2007/02/009-cozinha-van-gogh-vs-velzquez.html' title='009 a cozinha: van gogh vs. velázquez'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116894517256214269</id><published>2007-01-16T10:51:00.000Z</published><updated>2007-01-16T22:43:34.236Z</updated><title type='text'>008 as mãos segundo caravaggio, 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/844432/lizard.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/628148/lizard.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapaz mordido por um lagarto (c.1595), Caravaggio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro propõe-nos um episódio narrativo, aguarda que o ficcionemos. O rapaz, que até ao momento se entretivera com jogos de efeminação - tem uma flor sobre a orelha e a camisa caída pelo ombro direito abaixo -, é interrompido, abruptamente, por um esticão eléctrico que lhe percorre o corpo. Surpreendemo-lo no exacto instante em que um lagarto lhe morde o dedo médio da mão direita e ele reage: acaba de erguer o ombro direito em direcção ao rosto, como que se protegendo; tem a boca semi-aberta, sem tempo para esboçar um gemido; os olhos arrepelados e a fronte franzida desenham a dor e a surpresa num ricto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o encontramos no limiar da emoção que sucederá ao susto: a ira. A sua postura é já a de alguém irritado, aliás. Graças ao rosto? Também. Mas, se ocultarmos as mãos, compreendemos que estamos na presença de uma pose. O que dá plausibilidade à cena e a essa metamorfose são as mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/350191/m%3F%3Fo2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/135908/m%3F%3Fo2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pormenor de &lt;/em&gt;Rapaz mordido por um lagarto (c.1595), Caravaggio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, a mão esquerda. Retirada, quase passa despercebida, mas é ela que, erguida com ferocidade, manifesta o repúdio. Está ali como que a impedir que alguém se aproxime. E a origem deste desagrado está naturalmente na mão direita que recebe a mordidela. Esta é uma mão delicada, que mantém ainda parte do gesto que antecedeu o arrepio. Talvez se estendesse para «colher» a flor do boião de vidro. Foi quando o lagarto interrompeu o seu movimento grácil, puxando o dedo médio para baixo com a boca repugnante. Pressente-se, então, a imperceptível metamorfose de uma mão repleta de ternura e delicadeza para uma mão crispada e reactiva: o dedo mindinho retrai-se em cunha, o anelar estica-se, o indicador curva-se e o polegar torna-se rígido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/289853/m%3F%3Fo1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/412634/m%3F%3Fo1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pormenor de &lt;/em&gt;Rapaz mordido por um lagarto (c.1595), Caravaggio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo pode, agora, relaxar e voltar aos seu jogos, porque Michelangelo Merisi já tem o que pretendia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116894517256214269?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116894517256214269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116894517256214269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2007/01/008-as-mos-segundo-caravaggio-2.html' title='008 as mãos segundo caravaggio, 2'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116844708385438098</id><published>2007-01-10T16:24:00.000Z</published><updated>2007-01-10T17:23:33.190Z</updated><title type='text'>007 entre figuras</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/268929/q3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/252649/q3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lausane (s.d.), Nadir Afonso&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nadirafonso.pt/"&gt;Nadir Afonso&lt;/a&gt; afirmou, um dia, que em pintura tudo é redutível a figuras geométricas. Parece verdade, embora o expressionismo abstracto de um Rohtko obrigue a uma reformulação de tal tese, bem como a utilização obessessiva da cor pelo próprio Nadir seja prova de que, em pintura, a forma não basta: existem as relações da cor, por exemplo. Importante é ressalvar, no entanto, que as relações das figuras geométricas são um modo de ocupar o espaço e de &lt;em&gt;criar um lugar &lt;/em&gt;e não formas vazias de conteúdo. O geometrismo não acusa apenas a exaltação pitagórica da divindade dos números e das formas. Sem &lt;em&gt;um lugar entre &lt;/em&gt;, não há vida possível. (Seria interessante pensar, a propósito, que lugar nasce das telas de Rothko e que tipo de experiência proporcionam, se estética se espiritual). Sem lugar, não há respiração. Nem fruição estética. É o que aprende o olhar na relação com a simplicidade das figuras geométricas e o espaço que as define. E depois há uma pintora cujo objecto representado é &lt;em&gt;o lugar ele mesmo&lt;/em&gt;: Vieira da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/134221/V-Silva-grandes-constructions-g.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/223788/V-Silva-grandes-constructions-g.jpg" border="0" alt="" /&gt;Les grandes constructions (1956), Vieira da Silva&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116844708385438098?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116844708385438098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116844708385438098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2007/01/007-entre-figuras.html' title='007 entre figuras'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116769687583378732</id><published>2007-01-02T00:07:00.000Z</published><updated>2007-01-02T12:03:47.316Z</updated><title type='text'>006 efeitos do fulgor</title><content type='html'>A perda de forma do indivíduo está, em geral, associada à dissolução da matéria do corpo num todo panteísta ou material e, consequentemente, à morte. Na História da Pintura, há (certamente entre muitos outros) dois exemplos de perda de forma que não representam a morte dos «indivíduos» retratados: penso n’ &lt;em&gt;O espargo&lt;/em&gt;, de Manet, e nas &lt;em&gt;Mulheres resplandecentes em frente da chapelaria&lt;/em&gt;, de Macke.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/317184/si-301946.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/960617/si-301946.jpg" border="0" alt="" /&gt;O espargo (1880), Manet&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com finalidades diversas embora, os pintores ignoraram parcialmente o traço distintivo do ser que representavam, abrindo-o, prolongando-o pelo espaço adjacente. Esta fusão parcial – que me aparece como um delicioso símbolo da ilusão das fronteiras e da posse, quando se trata de seres vivos (ou, pelo menos, orgânicos) –, esta fusão, dizia, opera-se através da cor ou, mais exactamente, da luz. E é significativo que isso aconteça deste modo, porque a luz é aquilo que possibilita todas as distinções visuais e a sua ausência (a noite, o negro) aquilo que tudo dilui no caos primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/894039/macke7.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/672086/macke7.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres resplandecentes em frente da chapelaria (1913), August Macke&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dois casos, a luz têm a função da noite, a curiosa função de unir e não de separar. E tal acontece através de um fenómeno natural, o da resplandecência. Como se no instante do &lt;em&gt;fiat lux &lt;/em&gt;criador a luz fosse tão intensa que ocultasse, pelo menos em parte, as formas da criatura. Que as ocultasse ou, por outra, como se as mesmas formas ainda retivessem - e desse modo revelassem - algo do fulgor do acto criativo, algo da resplandecência que liberta o acto fecundo. É assim que o criador Manet abandona a tela sabaticamente, após meia dúzia de pinceladas rápidas de pura sugestão. Quanto a Macke, a resplandecência é, porventura, a de um vidro pagão dando sobre as faces urbanas de duas damas. Uma dela protege-se do reflexo, voltando a cara para trás; a outra aproxima-se do vidro com vista a evitar o excesso de luz – mas nem assim evita a dissolução do rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, a resplandecência, como excesso de luz que é, cega (ainda que apenas momentaneamente), de tal modo que corresponde exactamente ao efeito que tem a noite sobre os contornos dos objectos e dos corpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acresce dizer que as mulheres de Macke – como em tantos outros quadros seus – não possuem os pormenores do rosto. O seu objectivo não é representar pormenores ou sentimentos, mas harmonizar um todo de linhas, cores e formas. Esta abstracção faz as suas mulheres resplandecentes assemelharem-se àquelas alucinações em que copos de vidro se desfazem em luz. Talvez o sentido apurado do pintor lhe tenha fornecido a intuição de que, um dia, todas as formas desaparecerão na luz!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dedico este texto à &lt;a href="http://luzpresenca.blogspot.com/"&gt;Armandina Maia&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116769687583378732?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116769687583378732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116769687583378732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2007/01/006-efeitos-do-fulgor.html' title='006 efeitos do fulgor'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116717513973974833</id><published>2006-12-26T23:10:00.000Z</published><updated>2006-12-26T23:22:33.100Z</updated><title type='text'>005 adolescência</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/552217/francis_bacon_gallery_15.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/436123/francis_bacon_gallery_15.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três estudos para figuras na base de uma crucificação - Primeira figura (1944), Bacon&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observais-me, mas estou demasiado encerrado no meu corpo para vos ligar peva. E, paradoxalmente, talvez me encontre assim devido a vossos olhos. Sou um ser exposto, completamente exposto na sua fragilidade sobre uma mesa; um ser sem pernas suas para escapar a vosso olhar esvaziante. Sou adolescente e escondo-me - é o máximo que posso fazer - por detrás da minha guedelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vergonha é o princípio do que sou. O meu estado actual, porém, é outra coisa. Não possuo boca, e isso é o mutismo absoluto - e o mutismo é o supremo suplício para quem é essencialmente grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou também uma contorção em desequilíbrio, um torso prestes a afocinhar desamparado. Vejo a vertigem que me separa, angustiosamente, do piso laranja. Nada, nem ninguém, pode curar este medo da queda iminente de se cair no que se não é. Porque eu nada sou: a não ser imobilidade e contorção. Sem boca e sem membros não posso fugir nem procurar - a minha única linguagem é o novelo de carne fria que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamem-me &lt;em&gt;o autocrucificado &lt;/em&gt;- e pensem que os pregos são a blusa que me evolve, a blusa de minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116717513973974833?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116717513973974833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116717513973974833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2006/12/005-adolescncia.html' title='005 adolescência'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116657610897106749</id><published>2006-12-20T00:46:00.000Z</published><updated>2006-12-20T01:25:04.386Z</updated><title type='text'>004 rios à noite</title><content type='html'>A noite – ou o anoitecer – confere uma consistência de sólido à água. Na realidade, a luz fá-la parecer viscosa como um óleo queimado, mas em pintura é comum percepcioná-la como areia ou pavimento baço, frio, morto. É assim que a vejo nos portos nocturnos de Rousseau ou na &lt;em&gt;Vista de um porto&lt;/em&gt;, de Friederich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/257309/vue.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/320/410419/vue.jpg" border="0" alt="" /&gt;A ilha de Saint-Louis vista do porto Saint-Nicholas (1888), Rousseau &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/727916/207fried.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/320/370511/207fried.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vista de um porto (1815/16), Friederich&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, depois, em completa oposição, há a &lt;em&gt;água vibrante &lt;/em&gt;de &lt;em&gt;Noite estrelada sobre o Ródano &lt;/em&gt;ou a água sob a forma de &lt;em&gt;corrente viva &lt;/em&gt; na curva d'&lt;em&gt;O canal «Roubine du Roi» com lavadeiras&lt;/em&gt;, ambos de Van Gogh. Água heraclitiana, jorro de cor e de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/947687/starrynightovertherhone.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/320/8149/starrynightovertherhone.jpg" border="0" alt="" /&gt;Noite estrelada sobre o Ródano (1888), Van Gogh&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/285806/v%20gogh.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/320/102845/v%20gogh.jpg" border="0" alt="" /&gt;O canal «Roubine du Roi» com lavadeiras (1888), Van Gogh&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116657610897106749?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116657610897106749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116657610897106749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2006/12/004-rios-noite.html' title='004 rios à noite'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116596718151035406</id><published>2006-12-12T23:40:00.000Z</published><updated>2006-12-12T23:51:19.940Z</updated><title type='text'>003 as mãos segundo caravaggio, 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/322843/58rosar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/280128/58rosar.jpg" border="0" alt="" /&gt;Pormenor das mãos de &lt;em&gt;A virgem do rosário &lt;/em&gt;(1607), Caravaggio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressividade das mãos de Caravaggio! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente do motivo da obra, elas merecem sempre uma atenção especial do pintor. Nunca se ficam pelo esboço e raramente são ocultadas na sombra. O resultado é sempre de um requinte e sensibilidade surpreendentes. E mesmo quando não são perfeitas - ele procurou, antes de mais, como é sabido, a imperfeição -, nunca chegam a ser grosseiras. Porque as mãos, para Caravaggio, têm algo a dizer - e o que dizem é essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que a mãos diz respeito, Caravaggio é, portanto, um expressionista &lt;em&gt;avant la lettre&lt;/em&gt;. Em geral, elas, mais do que qualquer outra parte do corpo, contêm a súmula da expressão das figuras retratadas. Seja um sentimento violento ou a serenidade do sono, está lá quase tudo. E esta concentração emocional é tão moderna que antecipa as mãos crispadas de Schille, as mãos deformadas de Picasso, e talvez todas as mãos que, posteriormente, se fizeram linguagem e comunicação em pintura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116596718151035406?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116596718151035406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116596718151035406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2006/12/003-as-mos-segundo-caravaggio-1.html' title='003 as mãos segundo caravaggio, 1'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116574909138772791</id><published>2006-12-10T11:06:00.000Z</published><updated>2006-12-10T11:15:28.423Z</updated><title type='text'>002 defeitos da natureza</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/86676/pissaro26.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/865582/pissaro26.jpg" border="0" alt="" /&gt;A horta (1879), Camille Pissarro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, porque nós praticamente não existimos. Repare que, já nessa época, nossas vidas em nada se destacavam do nosso trabalho. Eu era velha, minha irmã deixara de ser nova e nosso irmão cumpria, mas não dava nas vistas. Cumpríamos, aliás, os três, um destino de cor, perfeitamente integrados na horta e na tela. Tivéramos paixões, mas o corpo fora adormecendo - quando &lt;em&gt;monsieur&lt;/em&gt; Pissarro chegou, nada havia a conversar ou a defender: que nos pintasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, mostrou-nos o resultado, e tudo nos pareceu conforme. Eu estivera de costas, o nosso irmão permanecera ao fundo, quase escondido, o rosto da minha irmã pouco visível - íamos dizer ao homem que ele não sabia pintar? E, sim, aquela era a nossa horta. Pelo menos, a minha. Provavelmente, o pobre pintor era míope, como eu. Censurá-lo por uma deficiência da natureza?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116574909138772791?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116574909138772791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116574909138772791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2006/12/002-defeitos-da-natureza.html' title='002 defeitos da natureza'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37933978.post-116563025295930254</id><published>2006-12-09T02:00:00.000Z</published><updated>2006-12-10T01:15:12.606Z</updated><title type='text'>001 perder-se</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/1600/667421/%5B1935%5D%2520La%2520Perspective%2520Amoureuse.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4594/1944/400/122762/%5B1935%5D%2520La%2520Perspective%2520Amoureuse.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La perspective amoureuse (1935), Magritte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta imprevista do quadro&lt;br /&gt;que reconfigura a porta,&lt;br /&gt;da porta que se abre em vazio,&lt;br /&gt;do vazio onde nasce a árvore,&lt;br /&gt;da árvore que manifesta a paisagem,&lt;br /&gt;da paisagem que se quebra nos limites da porta,&lt;br /&gt;da paisagem que se abisma no invisível:&lt;br /&gt;assim a perspectiva de quem ama a cor&lt;br /&gt;e por ela é chamado a entrar no quadro&lt;br /&gt;- e se perde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37933978-116563025295930254?l=vestigialectionis2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116563025295930254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37933978/posts/default/116563025295930254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vestigialectionis2.blogspot.com/2006/12/001-perder-se.html' title='001 perder-se'/><author><name>lector</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02766157874379125089</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
